O funcionamento adequado da glândula
tireóide é condição fundamental ao equilíbrio das mais diversas funções
orgânicas. As desordens tireoidianas, dentre as quais se destaca o
hipotireoidismo, são bastante comuns nas mulheres em período fértil; sendo,
dessa forma, recomendada a avaliação da função tireoidiana nesse período.
A análise inicial é realizada por meio
da dosagem sérica do hormônio TSH, podendo ser complementada pelo T4 livre, bem
como pelos anticorpos antitireoidianos. Alterações desses marcadores podem
estar associadas à complicações no período pré-concepcional, assim como durante
o período gestacional para ambos gestante e concepto.
No hipotireoidismo, observa-se a
glândula tireóide com produção hormonal inferior ao recomendado às necessidades
do organismo. A mulher acometida por essa disfunção apresenta elevada chance de
desenvolver irregularidade menstrual, ciclos anovulatórios e infertilidade.
A prevalência do hipotireoidismo no
Brasil no período gestacional, em suas formas clínica e subclínica, é
aproximadamente 1% a 2,5%. Mais de 20% das gestantes portadoras dessa disfunção
são assintomáticas. Além disso, muitas características da doença confundem-se
com sintomas da própria gravidez, tais como sonolência, elevação do peso e
adinamia, reforçando a importância do rastreio laboratorial bem conduzido. O
hipotireoidismo acarreta risco aumentado de abortamentos, partos prematuros e
hipertensão arterial, além do comprometimento da cognição da prole. O
tratamento é realizado por meio da reposição do hormônio tireoidiano:
levotiroxina.
A elevação dos hormônios tireoidianos,
o hipertireoidismo, embora menos frequente, está também associada a prejuízos
no período pré-concepção, com quadros de irregularidade menstrual e anovulação,
bem como na fase pós-concepção, podendo ocasionar pré-eclâmpsia, crise
tireotóxica, abortamento e parto prematuro.
Outra possível alteração da glândula tireóide
é a tireoidite pós-parto. Esta ocorre em cerca de 5% a 10% das gestantes e está
associada à presença de anticorpos antitireoidianos. Inicialmente, podem
ocorrer sintomas de hipertireoidismo, como taquicardia, irritabilidade e
insônia, seguindo-se de sintomas do hipotireoidismo, como sonolência, adinamia,
labilidade emocional, dentre outros.
O acompanhamento médico deve ser
realizado com o especialista na área, o endocrinologista, juntamente com o
obstetra. Dessa forma, adequando-se as taxas hormonais necessárias a cada
período, otimiza-se a saúde da mãe e do seu bebê.
Por Lilian Albuquerque
